Desta vez o ECB entregou o que prometou. O plano "monetary outright transactions", como antecipado no post de ontem, será por tempo e montante ilimitados; a compra será esterilizada; não há senioridade; está limitado a compra de titulos de 1 a 3 anos e, naturalmente, o país que solicitar o socorro deverá aceitar o plano econômico apresentado por Bruxelas. Em outras palavras, apenas os países que já solicitaram o bail out completo, podem solicitar ao ECB a intervenção no mercado de titulos soberanos, os demais, Espanha e Italia, por ex., ainda devem pedir ajuda e negociar as condições. A grande novidade é o novo papel do FMI, que passa a ser responsável pelo monitoramento do plano econômico, apesar de não fazer nenhum desembolso. Ele é apenas o capitão do mato.
A reação do mercado foi muita boa, como podemos inferir pelos rendimentos dos titulos italianos e espanhois de 10 anos que fecharam em 5.261% e 6.030%. Já os de 2 anos foram negociados a 2.268% e 2.959%. Quedas significativas em relação a ontem que, alias, vinha ocorrendo desde o momento em que o mercado concluiu que a promessa do Draghi era pra valer. Isto apesar da oposição do Bundesbank. Mais uma vez, a razão política prevaleceu e, neste caso, ao contrário do que argumenta o mamute alemão, ela não contradiz a racionalidade econômica.
Como mencionado ontem, está não é bala de prata, apenas mais uma etapa no longo processo de construção da União Europeia. Detalhe ignorado, por analistas apressados, que insistem em apostar no fim do projeto europeu.
Viva Mario Draghi...
2:33 PM |
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