Dilma na ONU


Gostei do discurso da Presidenta Dilma na ONU, nesta terça feira. Ela tem razão ao afirmar que “A grave crise econômica iniciada em 2008 ganhou novos e inquietantes
contornos, mas a política monetária não pode ser a única resposta à crise”. Esta correta, também, ao apontar que "Não podemos aceitar que iniciativas legítimas de defesa comercial por países em desenvolvimento sejam injustamente classificadas como
protecionismo”. Obama, com certeza concorda com a critica ao uso, quase exclusivo, da política monetária, mas sabemos que no ambiente de campanha eleitoral é impossível convencer os republicanos da necessidade de usar também a política fiscal para colocar a economia do Imperio no caminho da recuperação econômica. É por isto que, como mencionamos em outro post, Bernanke e cia foram obrigados a implementar uma nova rodada de afrouxamento monetário. O impacto sobre a taxa de câmbio dos paises emergentes é um aspecto nada agradável da medida, mas se o QE3 produzir o resultado esperado, também será benefico aos países que exportam para o imperio, já que o crescimento econômico aumenta a demanda por produtos importados produzidos por estes mesmos paises. O resultato não é, portanto, de todo negativo. Enquanto não se colhe os frutos da medida, o governo brasileiro, guiado pela defesa do interesse nacional, tem todo o direito de recorrer a medidas de defesa comercial para defender a industria nacional.

Ela, no entanto, se equivoca ao afirmar que ”políticas ortodoxas vem agravando a crise". Em alguns países, caso da Grecia por ex, o que a Presidenta chama de ortodoxia, nada mais é que o bom senso em política econômica, depois da festança irresponsável que levou o país ao fundo do poço. O que ela chama de "politica econômica prudente" é apenas um nome diferente e politicamente correto para a velha e boa política econômica ortodoxa que , alias, seu governo vem praticando na área fiscal, como ela mesma reconhece.

A parte mais interessante do discurso foi a defesa enfática de decisões coordenadas para retirar a economia mundial do atoleiro em que se encontra. A guerra cambial não interessa a ninguem e tem como único produto o impacto negativo no comércio internacional.


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